DOSSIÊ DOCUMENTAL / 21.10.2026
Caso Ana Clara: por que Flávio Bolsonaro entrou na defesa do PM acusado?
Morte de Ana Clara Gomes Machado e atuação formal de Flávio na defesa
Ana Clara Gomes Machado tinha 5 anos. Morreu após ser atingida durante uma ação policial. Bruno Dias Delaroli foi denunciado e enviado ao júri. O acórdão do STJ lista Flávio Bolsonaro entre os advogados em 2024. Não comprova que ele assinou cada peça ou que obteve a soltura, ocorrida em 2021. O recurso foi rejeitado por 3 a 2. O policial ainda aguarda julgamento.
Ana Clara morreu em ação policial?
SimA morte ocorreu em 2/02/2021, em Niterói.
O MP acusa Delaroli pelos disparos?
SimA denúncia atribui disparos e assunção do risco de matar. O acusado contesta a versão.
O PM foi condenado?
NãoPronúncia encaminha o caso ao júri. Não é condenação.
Flávio aparece formalmente na defesa?
SimO nome e a OAB aparecem nas páginas 2 e 7 do PDF oficial do STJ.
Flávio conseguiu soltá-lo?
Não há prova dissoA soltura foi em novembro de 2021. O registro examinado de sua atuação é de 2024.
O recurso para evitar o júri foi aceito?
Não · 3 a 2O agravo foi desprovido por maioria em 9/04/2024.
Quando será o júri?
Previsão: 5 MAI 2027Data informada pela imprensa e pela mãe. A pauta oficial atualizada não foi localizada.
A cadeia dos acontecimentos.
- 01
02 FEV 2021
Morte de Ana Clara
A criança é atingida durante ação policial e morre. A autoria do disparo é objeto da acusação e da contestação.
- 02
FEV 2021
Flagrante e prisão preventiva
A cobertura contemporânea registra a prisão do policial após a morte.
- 03
2021 · antes da pronúncia
Denúncia do MPRJ
Homicídio qualificado por assunção do risco de matar; íntegra da peça não recuperada separadamente.
Denúncia transcrita no relatório, item 2STF / Diário da Justiça reproduzido pelo Escavador ↗ - 04
NOV 2021
Pronúncia e soltura com cautelares
A cobertura registra envio ao júri e revogação da preventiva no mesmo mês. Os dias exatos não foram confirmados.
- 05
MAR 2022
TJRJ mantém o júri
A decisão é relatada pela imprensa e sua ementa está reproduzida no acórdão do STJ.
- 06
09 ABR 2024 · publicação 23 MAI
Recurso rejeitado por 3 a 2
O PDF lista Flávio entre os advogados e preserva os fundamentos da maioria e do voto vencido.
PDF pp. 1, 2, 6 e 7Superior Tribunal de Justiça ↗ - 07
04 ABR 2025
HC 953.751/RJ
O recurso posterior é descrito na decisão do STF reproduzida no DJe.
Relatório, item 4STF / Diário da Justiça reproduzido pelo Escavador ↗ - 08
28 MAI / 01 JUN 2025
RHC 256847 no STF
Distribuição oficial e decisão posterior de Cármen Lúcia mantêm o caminho do júri.
- 09
2026
Adiamentos relatados
Imprensa e mãe relatam reagendamentos. Não foi localizado documento que os atribua individualmente a Flávio.
- 10
05 MAI 2027 · previsão
Nova data informada
Data futura publicada na imprensa; depende de confirmação da pauta do TJRJ. Não é evento já ocorrido.
O documento está aberto.

AgRg no AREsp 2.240.835/RJ · PDF p. 2 de 21. Toque na página para ampliar.
FLAVIO NANTES BOLSONARO — DF067599Transcrição com destaque editorial; grifo nosso. Recorte da página 2 do documento oficial do STJ.
FLAVIO NANTES BOLSONARO - DF067599. A lista do relatório registra o senador entre os advogados. O documento não individualiza assinaturas de petições.
Superior Tribunal de Justiça. Destaque em legenda pelo Rastreio Político; imagem documental sem alteração.Texto de decisão judicial: art. 8º, IV, da Lei 9.610/1998. Reprodução para informação. Brasão preservado como parte do documento, sem sugerir endosso do tribunal.Documento integral · página 2 ↗
Quem era Ana Clara?
Uma menina de cinco anos que brincava perto de casa com o irmão de dois. O processo registra sua morte após disparos durante ação policial em Niterói. Sua história merece um julgamento e memória; não deve ser reduzida a uma frase de debate.
O que sustenta a acusação
O MPRJ atribui a Delaroli disparos de fuzil 7,62 em direção a uma área residencial. A denúncia transcrita no RHC relata advertências de moradores e contesta a existência de agressão prévia de criminosos. São alegações da acusação, não um veredicto definitivo.
O que aconteceu com as provas?
A notícia contemporânea do iG atribui a testemunhas relatos de recolhimento de cápsulas. O acórdão do STJ documenta a controvérsia sobre preservação do local. A alegação de alteração da cena não foi convertida nesta página em fato judicialmente estabelecido.
O que a defesa contesta
A defesa alega reação a criminosos, indícios insuficientes, falhas de preservação e ausência de comprovação da intenção de matar. O voto vencido considera a combinação de problemas periciais e testemunhais insuficiente para enviar o acusado ao júri. Correspondência balística direta não foi demonstrada pelos documentos que conseguimos conferir.
O TJRJ manteve o júri. O STJ rejeitou o recurso.
A ementa do TJRJ, reproduzida no STJ, aponta materialidade e indícios de autoria. Em 9/04/2024, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Reynaldo Soares da Fonseca mantiveram o obstáculo de admissibilidade. Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira ficaram vencidos. A maioria não proferiu condenação nem resolveu definitivamente a controvérsia balística.
O nome do senador está no documento
FLAVIO NANTES BOLSONARO — DF067599 aparece na lista de advogados nas páginas 2 e 7 do PDF oficial. Isso demonstra sua vinculação formal à defesa no documento. A assinatura eletrônica exibida é do ministro relator; não deve ser apresentada como assinatura de uma petição por Flávio.
Por que um senador escolheu esse caso?
O direito de defesa é universal. A escolha dos casos também revela prioridades. Por que um senador colocou seu nome numa equipe que buscava retirar do júri o processo pela morte de uma criança? O documento permite cobrar a escolha; ainda falta uma descrição verificável do trabalho que ele realizou.
Como Flávio entrou na equipe?
Na nota publicada pela Folha, Paulo Klein diz que apresentou um projeto de assistência jurídica a policiais e que Flávio se ofereceu para ajudar. O advogado também declarou que buscava levar o caso à Justiça Militar. Esta é a versão de Klein, não uma reconstrução autônoma do convite.
O que significaria sair do júri?
O Tribunal do Júri submete o mérito de crimes dolosos contra a vida ao conselho de cidadãos. Uma transferência para a Justiça Militar alteraria o órgão julgador. A nota de Klein descreve essa estratégia; o recurso de 2024 conferido pede despronúncia, e sua conclusão não determina transferência de competência.
Flávio redigiu ou assinou as peças?
Não localizamos a petição original com assinatura verificável do senador. O acórdão lista advogados; não distribui entre eles a autoria do recurso. Não há base para converter a lista de patronos em prova de assinatura pessoal.
E os recursos posteriores?
O RHC 256847, distribuído oficialmente em maio de 2025, foi rejeitado por Cármen Lúcia em 1/06/2025, conforme reprodução do DJe. Ele trata do HC 953.751/RJ. Os advogados identificados nessa reprodução são Klein e Giovanna Tavares. A ausência de Flávio nessa lista não estabelece a data ou o motivo de sua saída da equipe.
Uma menina morreu. O júri ainda não aconteceu.
A mãe relata à Pública sucessivos adiamentos. A previsão publicada é 5/05/2027. Até a conferência de 21/10/2026, não recuperamos a pauta judicial oficial nem documento que atribua os adiamentos à atuação pessoal de Flávio. O tempo de espera exige explicação do sistema de Justiça.
O que ele respondeu no debate?
A cobertura registra que Flávio invocou o direito de advogar e afirmou que ainda não havia julgamento. A resposta aponta um princípio correto. Não detalha por que escolheu o processo, quais peças preparou ou qual foi sua atuação concreta.
O documento cobra uma resposta política
Não é necessário inventar uma soltura para cobrar responsabilidade pública. A vinculação formal de um senador à defesa já autoriza perguntas sobre suas prioridades, enquanto uma família segue esperando o júri. A cobrança ganha força quando a descrição do processo é exata.
O que responderam. O que fica aberto.
Bruno Dias Delaroli / defesa
- O que respondeu
- Nega que seus disparos tenham causado a morte e sustenta reação a criminosos. A defesa contesta as provas.
- O que esclarece
- Expõe a controvérsia sobre autoria, dinâmica dos disparos e qualidade dos vestígios.
- O que continua sem resposta
- O júri ainda precisa resolver a acusação. A negativa não constitui por si só comprovação de confronto.
Flávio Bolsonaro / Paulo Klein
- O que respondeu
- Flávio invocou o direito à advocacia. Klein declarou apoio do senador à defesa de policiais e a estratégia de Justiça Militar.
- O que esclarece
- Confirma a posição pública da equipe e a finalidade processual que Klein declarou.
- O que continua sem resposta
- Não individualiza quem escreveu ou assinou as peças, por que este caso foi escolhido nem quando terminou a atuação do senador.
As perguntas continuam de pé.
- Por que Flávio escolheu esse caso?
- Qual foi seu trabalho nas peças?
- Por que a família continua esperando o júri?
Documentos ainda não recuperados.
- Denúncia original do MPRJ e decisão de pronúncia do TJRJ não localizadas separadamente; trechos foram conferidos em decisões posteriores.
- Petição original ao STJ com eventual assinatura de Flávio não localizada.
- A íntegra oficial direta do RHC e do HC posterior não foi recuperada; usamos reprodução identificada do DJe e ata oficial de distribuição.
- Certidões de trânsito de todos os recursos e pautas oficiais dos adiamentos não localizadas; nenhum trânsito global foi presumido.
- Projétil não recuperado: a fonte inicial do Globo estava inacessível; não publicamos conclusão balística direta além dos documentos conferidos.
Conferência documental nesta publicação; revisão humana independente ainda não registrada.
Perguntas frequentes
Quem foi Ana Clara Gomes Machado?
Uma menina de cinco anos que morreu em 2 de fevereiro de 2021 após ser atingida durante ação policial em Niterói.
O que Flávio Bolsonaro fez no caso?
Consta formalmente entre os advogados no acórdão do recurso de 2024 que buscava afastar a pronúncia. Sua assinatura pessoal em peças não foi localizada.
Flávio Bolsonaro soltou o policial?
Não há prova disso. A soltura ocorreu em 2021 e o acórdão que lista Flávio é de 2024.
O policial foi condenado?
Não. Foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri. Pronúncia não é condenação.
Quando será o julgamento?
A previsão publicada é 5 de maio de 2027. A pauta oficial atualizada não foi localizada; a data pode mudar.
Leve o documento junto.
O link abre a resposta e permite conferir as fontes.
Fontes, na íntegra.
- reportagemPrisão do PM após a morte de Ana Clara (abre em nova aba)
Folha de S.Paulo · publicado em · acesso em
Cobertura contemporânea da morte e da prisão em flagrante, com versões da polícia e de familiares. - decisaoRHC 256.847 — decisão de 01/06/2025, reprodução do DJe (abre em nova aba)
STF / Diário da Justiça reproduzido pelo Escavador · publicado em · acesso em
Reprodução identificada da decisão de Cármen Lúcia: transcreve denúncia e decisões anteriores, cita HC 953.751/RJ e nega seguimento ao recurso. PDF oficial direto não recuperado; proveniência explicitada. - decisaoAgRg no AREsp 2.240.835/RJ — inteiro teor (abre em nova aba)
Superior Tribunal de Justiça · publicado em · acesso em
PDF oficial de 21 páginas: Flávio consta nas páginas 2 e 7; resultado por maioria nas páginas 1 e 6; voto vencido examina as provas e a cadeia de custódia nas páginas 7–21. - reportagemAtuação de Flávio na defesa do PM acusado (abre em nova aba)
Folha de S.Paulo · publicado em · acesso em
Reportagem e nota de Paulo Klein: ingresso na equipe, estratégia de Justiça Militar, soltura em 2021 e ausência de comprovação de assinatura pessoal de peças. - reportagemAdiamento do júri para maio de 2027 (abre em nova aba)
Portal Papo Aberto · acesso em
Noticia o reagendamento para 05/05/2027, também relatado pela mãe à Pública. A pauta judicial oficial não foi localizada nesta apuração. - reportagemEntrevista com Cristiane, mãe de Ana Clara (abre em nova aba)
Agência Pública · publicado em · acesso em
Entrevista direta relata o impacto da morte e os adiamentos; informa nova previsão de júri em 05/05/2027. Expressões sobre soltura e assinatura foram confrontadas com o acórdão e não reproduzidas como fatos. - reportagemTestemunhas relatam recolhimento de cápsulas (abre em nova aba)
iG / Último Segundo · publicado em · acesso em
Atribui a testemunhas relatos de recolhimento de vestígios; não equivale a decisão judicial definitiva de adulteração da cena. - documento oficialDistribuição do RHC 256847 (abre em nova aba)
Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em
Ata oficial confirma a existência e distribuição do recurso de Bruno Dias Delaroli a Cármen Lúcia em maio de 2025.
Continue pelo registro.
Histórico editorial
- : Publicação inicial: corrigida a premissa de primeira página (nome na p. 2), discriminado o fundamento processual do resultado por 3 a 2 e retiradas atribuições de soltura e assinatura não comprovadas.
Rastreio Político — conferência documental · Conferência documental nesta publicação; revisão humana independente ainda não registrada.