DOSSIÊ DOCUMENTAL / 21.10.2026

Bolsonaro mandou matar Lula? O que as provas dizem sobre o Punhal Verde e Amarelo

Plano Punhal Verde e Amarelo e a condenação na AP 2668

A resposta, de saída

Não foi localizada publicamente uma ordem direta, gravada ou assinada, de Bolsonaro para matar Lula. Há um plano documentado de assassinato, impressões relacionadas a ele no Planalto e monitoramento de autoridades. A PF atribuiu conhecimento; a PGR, conhecimento e anuência. A maioria do STF acolheu o elo com a liderança da trama golpista; Fux divergiu. A condenação definitiva foi pelos crimes do golpe, não por tentativa de homicídio.

Registro documental

Plano de assassinato existiu?

Sim

O arquivo e seu conteúdo estão reproduzidos e examinados no acórdão.

Decisão judicial

A operação saiu do papel?

Segundo a acusação e a maioria, sim

Monitoramento e mobilização foram tratados como atos de execução da trama; isso não equivale a condenação por tentativa de homicídio.

Limite da prova pública

Há ordem direta gravada ou assinada?

Não localizada publicamente

Os documentos examinados constroem o elo por registros e inferências, não por uma ordem direta apresentada ao público.

Decisão judicial

Foi condenado por mandar matar Lula?

Não

Foi condenado por cinco crimes ligados à tentativa de golpe. Tentativa de homicídio não está nessa condenação.

Jair Bolsonaro sentado à mesa com autoridades militares durante audiência no Planalto em março de 2022.
Audiência com o então ministro da Defesa, Braga Netto · 28 mar. 2022. Foto de arquivo, anterior aos episódios investigados.Clauber Cleber Caetano / PR · CC BY 2.0. Redimensionamento e conversão para WebP/AVIF; sem montagem ou alteração de conteúdo.
UM REGISTRO LEVA AO SEGUINTE

A cadeia dos acontecimentos.

  1. 01
    30 OUT 2022

    A derrota eleitoral

    O resultado das urnas antecede a escalada examinada na AP 2668.

  2. 02
    09 NOV 2022 · 9h23 / 17h05

    Arquivo criado e modificado

    Metadados de Fox_2017.docx são cruzados com o arquivo que aparece nos logs de impressão.

  3. 03
    09 NOV 2022 · 17h09

    Impressão no Planalto

    Plj.docx é impresso pelo usuário mariof. A identidade de conteúdo é uma inferência técnica discutida no julgamento.

  4. 04
    09 NOV 2022 · 17h48

    Entrada no Alvorada

    Fernandes entra no palácio presidencial após a impressão.

  5. 05
    12 NOV 2022

    Reunião na residência de Braga Netto

    O acórdão relaciona o encontro de Cid, Rafael de Oliveira e Hélio Ferreira Lima à articulação de ações de impacto.

  6. 06
    06 DEZ 2022 · 18h09

    Nova impressão e dados de telefonia

    A PF cruza o log com ERBs e presenças no Planalto. A quantidade de cópias é contestada por Fux.

  7. 07
    08 DEZ 2022

    Áudio sobre a janela de ação

    Fernandes relata conversa com Bolsonaro. Acusação, maioria e Fux atribuem sentidos diferentes ao registro.

    PDF pp. 1141, 1475–1476Supremo Tribunal Federal ↗
  8. 08
    15 DEZ 2022

    Copa 2022 e monitoramento

    Comunicação no Signal e posicionamento em Brasília antecedem a ordem de abortar a ação.

    PDF pp. 419–425 e 1142Supremo Tribunal Federal ↗
  9. 09
    NOV 2024

    Relatório final da PF

    A investigação reúne documentos, dispositivos e registros e atribui conhecimento a Bolsonaro.

  10. 10
    18 FEV 2025

    Denúncia da PGR

    A acusação formal atribui conhecimento e anuência ao então presidente.

  11. 11
    26 MAR 2025

    Denúncia recebida

    Abertura da ação penal por unanimidade; ainda não era julgamento de culpa.

  12. 12
    09–11 SET 2025

    Julgamento e divergência

    Quatro ministros condenam Bolsonaro; Fux diverge. O plano é examinado na fundamentação.

  13. 13
    25 NOV 2025 / 13 JAN 2026

    Condenação definitiva e recurso rejeitado

    Trânsito em julgado e rejeição posterior de recurso são informados oficialmente pelo STF.

PROVA VISÍVEL, ORIGEM IDENTIFICADA

O documento está aberto.

O plano e os alvos. O voto descreve armamento, monitoramento e a hipótese de envenenamento de Lula.
O plano e os alvos

AP 2668 · PDF p. 410 / voto do relator p. 300. Toque na página para ampliar.

O voto descreve armamento, monitoramento e a hipótese de envenenamento de Lula.

Supremo Tribunal Federal
Texto de decisão judicial: art. 8º, IV, da Lei 9.610/1998. Reprodução documental para informação, sem alteração do conteúdo.
Documento integral · página 410 ↗
Conhecimento e aquiescência: voto de Dino. Dino afirma aquiescência e explica a combinação de logs e entradas no Alvorada.
Conhecimento e aquiescência: voto de Dino

AP 2668 · PDF p. 702 / voto de Dino p. 70. Toque na página para ampliar.

Dino afirma aquiescência e explica a combinação de logs e entradas no Alvorada.

Supremo Tribunal Federal
Texto de decisão judicial: art. 8º, IV, da Lei 9.610/1998. Reprodução documental para informação, sem alteração do conteúdo.
Documento integral · página 702 ↗
A divergência está no mesmo processo. Fux rejeita a inferência de ciência de Bolsonaro a partir das presenças e do áudio.
A divergência está no mesmo processo

AP 2668 · PDF p. 1141 / voto de Fux p. 363. Toque na página para ampliar.

Fux rejeita a inferência de ciência de Bolsonaro a partir das presenças e do áudio.

Supremo Tribunal Federal
Texto de decisão judicial: art. 8º, IV, da Lei 9.610/1998. Reprodução documental para informação, sem alteração do conteúdo.
Documento integral · página 1141 ↗
Registro documental

Primeiro: o plano de matar existiu?

Sim. O arquivo Fox_2017.docx, ligado a Mário Fernandes, descreve alvos, vigilância, armas e formas de neutralização. A passagem sobre Lula cogita substâncias que produzissem colapso orgânico. Alckmin também aparece entre os alvos. A prova da existência do documento é diferente da prova de quem recebeu cada cópia.

Registro documental

Quem escreveu?

Mário Fernandes, então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência. A autoria é tratada no acórdão e foi admitida por ele, que descreveu o material como pensamento digitalizado e negou compartilhamento. Essa versão é examinada diante das impressões e dos movimentos posteriores.

Registro documental

Por que ele foi impresso dentro do Planalto?

A PF cruzou a criação de Fox_2017.docx, às 9h23 de 9/11/2022, sua modificação às 17h05 e a impressão de Plj.docx às 17h09. O mesmo usuário e a proximidade temporal fundamentam a associação entre os arquivos. O relatório emprega linguagem inferencial. Fux questionou a suficiência desse elo; a maioria o aceitou no conjunto das provas.

O que a acusação afirma

O que aconteceu depois da impressão?

O registro de entrada de Fernandes no Alvorada é das 17h48 de 9/11/2022. A PF relacionou a impressão e o deslocamento; a PGR sustentou apresentação do plano ao presidente. O registro de portaria prova a entrada. O conteúdo da conversa é uma conclusão construída com outras evidências.

Decisão judicial

A execução chegou a começar?

Para a PGR e a maioria do STF, sim: o monitoramento e a operação Copa 2022 integraram a implementação da trama. Em 15/12/2022, participantes se comunicaram por Signal e se posicionaram em Brasília; a ação foi abortada. Não houve assassinato dos alvos. Não se deve converter a qualificação de atos executórios do golpe em uma condenação inexistente por tentativa de homicídio.

O que a acusação afirma

PF: Bolsonaro tinha conhecimento

A conclusão policial resulta do cruzamento de registros de impressão, entradas, mensagens, dados telefônicos e da articulação entre agentes. Dados de ERB indicam cobertura de antenas e compatibilidade de localização; sozinhos, não registram o conteúdo de uma reunião.

O que a acusação afirma

PGR: o plano foi apresentado e recebeu anuência

Na página 19, a denúncia atribui expressamente conhecimento e concordância a Bolsonaro. Nas páginas 126–127, articula impressões, presença no Alvorada e diálogos posteriores. A acusação vai além da simples existência do papel, mas precisa ser apresentada como acusação e confrontada com os votos.

Decisão judicial

O que a maioria do STF concluiu

Moraes conecta o plano à organização sob liderança de Bolsonaro e afirma conhecimento e anuência na p. 424. Dino registra aquiescência na p. 702. Cármen Lúcia examina impressões, deslocamento e áudio na p. 1475. Zanin afirma ciência e aquiescência na p. 1832. São conclusões judiciais com fundamentação identificável, não uma ordem direta escrita encontrada nos autos.

Páginas do PDF integral: 424, 702, 1475 e 1832Supremo Tribunal Federal ↗
Voto divergente

O voto divergente de Fux

Fux considerou insuficiente a associação entre os arquivos e a prova de apresentação a Bolsonaro. Entendeu que presença simultânea no local de trabalho e o áudio de Fernandes não demonstravam autorização. Também questionou a conexão entre Punhal e Copa 2022. Divergiu sobre o elo probatório; o resultado por maioria permaneceu condenatório.

PDF pp. 1138–1143Supremo Tribunal Federal ↗
Decisão judicial

Bolsonaro foi condenado por tentativa de homicídio?

Não. A AP 2668 resultou em condenação por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena de Bolsonaro foi fixada em 27 anos e três meses.

Julgamento de 11/09/2025Supremo Tribunal Federal ↗
Limite da prova pública

O que ainda falta para provar uma ordem direta

Não localizamos uma ordem de Bolsonaro, gravada ou assinada, determinando matar Lula. Não localizamos comprovante individual de entrega de cada impressão. Isso delimita a prova pública sobre comando direto e não apaga a conclusão majoritária sobre conhecimento, anuência e liderança.

Decisão judicial

Situação processual atual

O STF informa trânsito em julgado em 25/11/2025, confirmado pelo colegiado no dia seguinte. Em 13/01/2026, novo recurso foi considerado incabível. Consulta documental realizada em 21/10/2026: a condenação definitiva é a da trama golpista, com os delitos acima discriminados.

Análise editorial

Um plano de morte dentro da máquina do Estado

A pergunta pública continua incontornável: por que um plano dessa natureza aparece ligado à estrutura presidencial, com impressões e movimentos que se conectam ao monitoramento? Exigir uma prova específica de ordem direta é rigor. Ignorar o restante da cadeia documental é abandonar a fiscalização.

RESPOSTA E CONFRONTO DOCUMENTAL

O que responderam. O que fica aberto.

Jair Bolsonaro

O que respondeu
À CNN, em 23/01/2025, atribuiu a responsabilidade a quem escreveu e alegou que a segurança das autoridades tornaria a ação inviável.
O que esclarece
Apresenta sua negativa de envolvimento e a tese de que o plano não teria viabilidade.
O que continua sem resposta
Não esclarece quem recebeu as impressões, nem resolve a leitura majoritária dos registros de deslocamento e monitoramento.

Mário Fernandes

O que respondeu
Admitiu a autoria e descreveu o material como pensamento digitalizado, negando que o tivesse compartilhado.
O que esclarece
Identifica o autor e sua versão sobre a circulação do documento.
O que continua sem resposta
A versão foi confrontada com a repetição das impressões e a cadeia de atos; a maioria não a acolheu como explicação suficiente.
COBRANÇA PÚBLICA

As perguntas continuam de pé.

  • Quem recebeu cada cópia impressa?
  • Como explicar o monitoramento previsto no plano?
  • Que prova individualizaria uma ordem direta?
O ALCANCE DESTA APURAÇÃO

Documentos ainda não recuperados.

  • Ordem direta de Bolsonaro para matar Lula não localizada publicamente.
  • Destinatários individuais de todas as impressões não identificados documentalmente nesta apuração.
  • A íntegra da sustentação oral no endereço antigo do MPF retornou 404; a denúncia original foi lida em cópia arquivada.
  • O número de cópias e a associação entre nomes de arquivos são pontos contestados por Fux; não são tratados como consenso.

Conferência documental nesta publicação; revisão humana independente ainda não registrada.

RESPOSTAS PARA CONSULTAR

Perguntas frequentes

Bolsonaro mandou matar Lula?

Não foi localizada publicamente ordem direta assinada ou gravada. PF, PGR e maioria do STF atribuíram conhecimento ou anuência e ligação com a trama. A condenação foi pelos crimes do golpe.

O que era o Punhal Verde e Amarelo?

Um plano documentado de vigilância e neutralização, inclusive assassinato, de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.

Quem escreveu o plano?

Mário Fernandes. A autoria e sua versão de pensamento digitalizado constam do acórdão.

O plano chegou a ser executado?

A PGR e a maioria identificaram início de implementação por monitoramento e mobilização operacional. Os alvos não foram assassinados.

Bolsonaro foi condenado por tentativa de homicídio?

Não. A condenação definitiva na AP 2668 refere-se aos cinco crimes da trama golpista.

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O link abre a resposta e permite conferir as fontes.

ÍNDICE RASTREÁVEL

Fontes, na íntegra.

  1. decisaoAP 2668 — acórdão integral, 1.991 páginas (abre em nova aba)

    Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em

    Documento oficial conferido: Moraes pp. 405–425; Dino p. 702; Fux pp. 1138–1143; Cármen Lúcia pp. 1475–1476; Zanin p. 1832. Páginas do PDF integral, não a paginação interna de cada voto.
  2. documento oficialRelatório final da PF — parte 3, cópia documental (abre em nova aba)

    Polícia Federal / cópia publicada pelo Poder360 · publicado em · acesso em

    Relatório oficial em espelho jornalístico. Páginas internas 457–460 registram metadados, logs de impressão, entradas no Alvorada e sinais de telefonia; o arquivo impresso foi associado ao plano por inferência técnica.
  3. documento oficialDenúncia da PGR na PET 12.100 — cópia arquivada (abre em nova aba)

    Procuradoria-Geral da República / arquivo Wikimedia Commons · publicado em · acesso em

    Denúncia assinada por Paulo Gonet: p. 19 afirma conhecimento e anuência; pp. 120–128 tratam do plano; pp. 211–217 da operação. PDF arquivado conferido após 404 no link da EBC.
  4. documento oficialSTF fixa as penas na AP 2668 (abre em nova aba)

    Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em

    Lista os cinco crimes e a pena de 27 anos e três meses imposta a Bolsonaro; tentativa de homicídio não consta entre os delitos da condenação.
  5. documento oficialSTF rejeita recurso após trânsito em julgado (abre em nova aba)

    Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em

    Informa trânsito em julgado declarado em 25/11/2025, confirmação colegiada no dia seguinte e rejeição de novo recurso em 13/01/2026.
  6. reportagemPF aponta conhecimento de Bolsonaro sobre o plano (abre em nova aba)

    CNN Brasil · publicado em · acesso em

    Notícia sobre a divulgação do relatório em 26/11/2024; a atribuição à PF é confrontada com o relatório documental.
  7. documento oficialSTF recebe denúncia contra Núcleo 1 (abre em nova aba)

    Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em

    Registra o recebimento unânime em 26/03/2025 e distingue indícios suficientes para abrir ação penal de julgamento de mérito.
  8. reportagemBolsonaro responde sobre o plano de morte (abre em nova aba)

    CNN Brasil · publicado em · acesso em

    Entrevista direta de 23/01/2025: Bolsonaro atribui responsabilidade ao autor do documento e alega inviabilidade diante da segurança das autoridades.
  9. documento oficialAP 2668: voto do relator (abre em nova aba)

    Supremo Tribunal Federal · publicado em · acesso em

    Síntese oficial do voto do relator sobre a organização criminosa, o plano de morte e a liderança atribuída a Jair Bolsonaro.
  10. reportagemFux diverge sobre ciência de Bolsonaro (abre em nova aba)

    Band · publicado em · acesso em

    Registro da divergência de Fux, confrontado com as páginas 1138–1143 do acórdão integral.
  11. reportagemPGR atribui conhecimento e anuência a Bolsonaro (abre em nova aba)

    Agência Brasil · publicado em · acesso em

    Relata a denúncia da PGR; a afirmação de anuência foi conferida na página 19 da peça original arquivada.
ARQUIVOS RELACIONADOS

Continue pelo registro.

Histórico editorial

  • : Publicação inicial: separação explícita entre ordem direta, ciência, anuência e condenação pelos crimes do golpe. Situação atualizada pelo registro de trânsito em julgado.

Rastreio Político — conferência documental · Conferência documental nesta publicação; revisão humana independente ainda não registrada.